Biocombustíveis e a oportunidade para o agronegócio: do volume ao valor, com rastreabilidade

Biocombustíveis deixaram de ser um tema apenas energético. Hoje, eles mexem com originação, preço, competitividade e acesso a mercado. O motivo é simples: a demanda cresce, as regras ficam mais claras e a exigência por comprovação de sustentabilidade aumenta, principalmente quando o assunto envolve cadeias globais.

No Brasil, um marco recente foi a entrada em vigor do E30 e do B15 em 01/08/2025, elevando o teor obrigatório de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% e a adição de biodiesel no diesel de 14% para 15%. Esse tipo de decisão dá previsibilidade e puxa investimento em produção, logística e governança.

O que está mudando na prática para o agro

A oportunidade não está só no aumento de consumo. Ela aparece também na transformação do que o mercado passa a pedir como prova.

Quem consegue demonstrar origem, histórico e conformidade tende a negociar melhor. Quem não consegue, passa a competir apenas por preço.

1) Quais insumos agrícolas viram biocombustíveis hoje

Etanol: cana e milho dividem a agenda
A cana de açúcar segue como base do etanol brasileiro, mas o milho ganhou espaço de forma consistente. Em 2024, aproximadamente 20% do etanol fabricado no país veio do grão, o que equivale a 7,55 bilhões de litros, segundo referência ao BEN 2025 em comunicado do MME.

Para o agro, isso abre oportunidades em novas regiões, fortalece integração com cadeias de grãos e amplia o peso de coprodutos na equação de rentabilidade.

Biodiesel: a força da soja e a lógica da economia circular
Em 2024, a principal matéria prima utilizada na produção de biodiesel no Brasil foi o óleo de soja, com 74% do total. Na sequência aparecem “outros materiais graxos”, com 14%, e a gordura bovina, com 6%. Outras matérias primas como óleo de palma ou dendê e gordura de frango dividem os 6% restantes.

O dado destaca duas coisas: A soja é o eixo central da matriz do biodiesel, e a participação relevante de materiais graxos reaproveitados sinaliza avanço de economia circular nas plantas.

Um detalhe que vale entrar no radar de quem faz planejamento e originação: preço do insumo mexe com o mercado. No mesmo boletim, a ANP registra que, entre janeiro e novembro de 2024, o preço do óleo de soja em reais por tonelada subiu 39,3%.

SAF: quando o agro entra na pauta da aviação
O combustível sustentável de aviação, o SAF, tende a elevar o nível de exigência do mercado. Muitas rotas comerciais usam lipídios, incluindo óleos vegetais, gorduras e óleos residuais.

Um SAF feito a partir de soja, na prática, nasce do óleo de soja e passa por uma rota industrial em que os componentes do óleo são convertidos em hidrocarbonetos na mesma faixa do querosene de aviação. Ou seja, a soja não aparece no combustível final como “soja”, ela entra como matéria prima e sai como um querosene.

Esse SAF de soja tende a ser predominantemente parafínico, com alta presença de alcanos e isoparafinas, teor muito baixo de enxofre e praticamente sem aromáticos, por isso normalmente é usado em mistura com querosene convencional para atender plenamente às especificações de desempenho e compatibilidade exigidas na aviação. Nesse contexto, o diferencial competitivo deixa de ser só a matéria prima e passa a ser a prova: rastreabilidade, critérios de sustentabilidade e consistência de dados para auditoria são o que viabilizam o acesso ao mercado e sustentam o valor do SAF na cadeia.

E isso já virou fato no Brasil com um caso concreto. A Bunge informou que se tornou a primeira companhia a certificar soja para uso na produção de SAF sob o protocolo ISCC CORSIA PLUS, reconhecido pela ICAO. A certificação foi concedida pela SCS Global Services para a unidade de Rondonópolis, no Mato Grosso, e inclui o selo ISCC CORSIA PLUS Low LUC, associado a baixo risco de mudança indireta de uso da terra. O comunicado destaca que o protocolo envolve padrões rigorosos, com base em rastreabilidade e práticas agrícolas.

O que isso significa na prática: a matéria prima pode existir, mas o mercado vai privilegiar quem consegue provar como ela foi produzida e de onde veio, com consistência para auditoria.

2) Onde está a oportunidade para o agronegócio

  • Oportunidade em escala, porque E30 e B15 aumentam demanda doméstica.
  • Aumento de valor, porque cadeias que exigem comprovação de origem tendem a pagar melhor por previsibilidade e menor risco.
  • Abertura a novos mercados, porque SAF amplia as rotas e cria um espaço onde sustentabilidade comprovada pesa muito.

3) Como se preparar para capturar valor

Comece pelo básico que o mercado cobra:

  • Rastreabilidade pronta para auditoria
    Histórico territorial consistente, cadeia de custódia clara e documentação organizada.
  • Gestão de risco socioambiental e de uso do solo
    Capacidade de mapear áreas, monitorar mudanças e antecipar inconformidades antes de virar bloqueio comercial.
  • Dados conectados a decisão
    Quando o insumo oscila, como no caso do óleo de soja, planejamento com dados melhora timing, margem e negociação

Conclusão: Como a Vega se conecta a esse cenário

A agenda de biocombustíveis está virando uma agenda de evidências. A Vega Monitoramento apoia empresas do agro a transformar informação territorial e rastreabilidade em confiança para originação, conformidade e gestão de risco, exatamente onde a competição tende a ficar mais dura nos próximos anos.

Conheça como a Vega transforma dados em inteligência para o agronegócio.

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